pessoal

Um fim de semana em casa

18 Fevereiro, 2020

Um fim de semana em casa. Casa não significa apenas o edifício e onde temos os pais, os irmãos. Mas sim onde nos sentimos nós mesmos. Onde somos felizes sem esforço.

Para estarmos em casa basta estarmos felizes, basta que a felicidade seja simples — porque ela é, mas nem sempre a encaramos dessa forma ou nem sempre estamos com quem queríamos estar, com quem devemos estar.

Estou em casa nos braços dele. Há uma parte entre o seu ombro e o seu pescoço, onde me encaixo tão bem. Parece que foi feita para me apoiar. Que estava à minha espera. No seu abraço encontro a calma, o sol madrugador, a esperança e a felicidade.

Esqueci-me das horas. Perdi-me nos dias, na tarde e na noite. Acordamos cedo, sem despertador, enrolamos-nos um no outro e para mim era verão, quando lá fora chovia.

Cá dentro tudo estava iluminado, não estivéssemos nós sempre na brincadeira e a rir feito loucos. Tão simples quanto isso. A televisão competindo pela nossa atenção, quando só a dávamos um ao outro.

O toque. Sempre o toque. O saber que ao virar-me na cama, encontrava-o por perto. O sentir-me segura com aquele abraço por perto, com o seu batimento como plano de fundo. A calma ao despertar, silenciosamente. O abraço a alcançar-me, os olhares profundos e sonoros.

Tudo parecia ir devagar, mas enquanto estávamos serenos, a hora foi passando, os dias foram acabando. Outros se iniciaram e chegou a hora de ir embora.

Há uma dor silenciosa, não proferida, mas vista, nos nossos olhares, na despedida. Fechamos o quarto e ficamos parados olhando para o número da porta. Demos a mão e seguimos. Mãos unidas. A força entre nós. A puxar-nos um ao outro, quando um pensa em voltar ou desistir, quando um não tem vontade de ir. E eu não queria ir. Não queria deixá-lo ir, não queria ter de me despedir. Custa tanto vê-lo partir. E não o vi a conduzir. Fechei a porta e impedi-me de ver.

A dor tantas vezes é sentida e ignorada. Tantas vezes é menosprezada. Tantas vezes é sentida e não demonstrada. Nós sentimos e não falamos. Deixamos-nos ir, porque sabíamos que tinha de ser. Daqui a nada voltarei a casa. Só por umas horas. Mais vale umas horas, uns minutos e uns segundos, do que não poder estar em casa, onde sou feliz. Mais vale isso do que não voltar para os braços dele.

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    Andreia Morais
    18 Fevereiro, 2020 at 20:40

    Isso só demonstra que não é o tempo que conta, mas a intensidade com que vivemos as coisas! E é tão bom sentirmo-nos em casa, mesmo que seja por breves momentos

    • Carolina
      Reply
      Carolina
      19 Fevereiro, 2020 at 10:13

      Oh é inimaginável, o quão bom é.