pessoal

Por lugares incertos

9 Março, 2020

As pessoas sempre chegam na hora exata nos lugares onde estão sendo esperadas.

Sempre fui medrosa. Sempre tive medo de me arriscar por sítios desconhecidos, de partir em busca de aventuras, de mergulhar no mar, de fazer trilhos, de tentar amar, mais uma vez, de (me) perder.

O medo apodera-se de nós de várias formas, deixando-nos paralisados, sem vontade de continuar. Às vezes, é preciso arriscar, ter coragem e ir. Ir faz bem. Aventurar-nos faz bem. Caminhar por lugares incertos poderão vir a ser as melhores aventuras da vossa vida. E não caminhamos todos, por lugares incertos, diariamente? Não é incerto o caminho a dois? Não é incerto acordar? Não são incertos os dias, as noites?

A melhor decisão que tomei no ano corrente, foi a de aventurar-me mais. Só é incerto até nos fazermos à estrada, até termos o passo certo, até termos o equilíbrio necessário para a caminhada. Depois, tudo é feito com naturalidade e sem medos. Sentimos-nos invencíveis, com sede de mais e mais. É um caminho sem volta. Tal como tatuar a pele: torna-se num vício.

Todos nós deveríamos ter vícios de amar; de aventurar-se; de pôr-se à prova; de abraçar novas pessoas/aventuras; de quebrar regras; de estabelecer novas regras; de caminhar com calma e convicção; de ir sem olhar para trás; de encarar o caminho com ânimo; de não se abalar com uma queda; de não ter medo de escorregar; de não questionar, apenas aproveitar. Cada tropeço tornar-nos-á mais fortes, mais convictos e mais confiantes.

Escorregar faz parte de caminhar, cair faz parte de caminhar e de viver, tropeçar faz-nos ganhar mais balanço, mais força de continuar  e errar só demonstra que somos humanos.

Há que assumir novas rotas, mesmo dando passos incertos, sabendo que podíamos fazer melhor, como fazemos nos lugares-comuns. Só que esses lugares conhecidos são a nossa zona de conforto e dentro dessa zona, nada de novo surgirá ou florescerá. Tornar-nos-emos isentos de histórias. É necessário sair dessa bolha que nos consome e ir em busca de novos trilhos. Sempre no mesmo lugar, nada teremos para contar.

Todos nós sentimos o bichinho de querer sair por aí, sem destino, sem hora de voltar. Temos vontade de percorrer o mundo, cada cantinho dele e descobrir recantos incríveis. Queremos maravilhar-nos com o mundo fantástico que temos e só precisamos ter coragem para o fazer. Nem que caminhem com medo, mas não deixem de ir! Aproveitem os lugares incertos e façam deles um lugar de regresso!

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    Andreia Morais
    9 Março, 2020 at 18:57

    O medo pode paralizar-nos, mas a verdade é que só começamos a viver quando decidimos arriscar mais. E contra mim falo, porque tenho esse receio bem presente. Só que o pior que pode acontecer é percebermos que aquele não é o nosso caminho. Ou, então, percebermos que, afinal, vamos na direção certa.
    Por mais que assuste, temos que aprender a soltar as amarras. E aprender a voar

    • Carolina
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      Carolina
      10 Março, 2020 at 23:48

      Ora nem mais! E para vivermos temos de arriscar, constantemente. É preciso deixar-nos levar também. Ter coragem para ir, sem se questionar muito sobre isso. É algo a mudar. Temos de mudar para sermos felizes. E se não for o melhor caminho, ao menos serviu de para alguma lição.

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    Ai, se eu pudesse... - by Carolina
    13 Abril, 2020 at 10:06

    […] a qual já não encontro solução ou saída. Acho que andei perdida e ainda o estou, procurando lugares onde pertencer e quem sabe um dia regressar. Pois só isso podemos fazer: regressar a lugares onde […]

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