pessoal

ocasiões que nos mudam.

6 Junho, 2020

Ao virar daquela esquina pode estar a melhor aventura ou mudança da tua vida e tens de estar preparada para ela. Ou então, nunca vais estar. Terás então de decidir se avanças ou se te manténs no mesmo lugar. Sendo que de qualquer forma, chegarás ao teu destino. — L. (2014)

Existem ocasiões na nossa vida que nos deixam entre a espada e a parede, sendo que por mais que seja desconfortável a posição em que nos colocaram, não há como sair dela sem uma decisão — seja a mesma, a mais assertiva ou não. Com o passar dos anos, o nosso medo sofre modificações constantemente e a nossa bolha de segurança parece-nos apetecível quase sempre. Acontece que, dentro dessa mesma bolha nada de novo acontece, lá fora é onde devemos estar, vivendo e até quiçá, aprendendo com os próprios erros.

Existem ocasiões que nos mudam para sempre, que abalam todo o nosso ser e colocam em causa todo o nosso trajeto até então. No dia em que frontalmente, afirmaram que tinha medo de avançar por medo do que o futuro me reservava, parei. Parei, pensei e ponderei. Seria medo de não saber encarar a realidade? Seria por falta de coragem? Cobardia? Quando iria estar preparada para avançar e escolher um caminho? Quando iria estar disposta a arriscar tudo para chegar ao meu destino?

De uma maneira ou de outra, lá chegaria. E cheguei. Não como desejava. A vida dá-nos essas oportunidades espantosas e nós simplesmente atiramos as mesmas pelo ralo abaixo.

A verdade é que não agi. Não fui capaz de decidir que rota seguir, se iria adiante, para a direita ou para a esquerda e deixei que me levassem, ao destino que sabia que chegaria. E todas as vezes, em que isso acontecia, voltava ao ponto de partida. Todas as vezes que fugia de mim, das consequências, voltava ao início e encarava tudo de novo. Incessantemente.

Parecia um jogo viciado, em que cada pé fora do trajeto fazia-me começar novamente. De todas as situações possíveis, a mais trágica acontecia.

Vivenciar novas rotas e mudanças, prepara-nos para uma vida inteira de oscilações. Nem sempre vamos estar em cima, nem vamos estar infinitamente em baixo. Só precisamos ter a coragem de decidir o caminho, que direção tomar, que atitude ter. Abraçar o futuro ou continuar a olhar para o passado?

Neste impasse, que devorou-me as entranhas por longas semanas, descobri, amargamente, o quão nocivo é deixar as decisões entregues ao desconhecido. Deixei que decidissem por mim, o rumo que a minha vida teria. Nada de bom aconteceria, ainda que pensasse o contrário.

É pesarosamente que descobrimos o quanto as decisões ditam a nossa vida. As escolhas que tomamos irão para sempre acompanhar-nos, quer no bom sentido, quer no mau. As sombras dos “e se’s” irão para sempre viver, naquele canto mais escuro do nosso ser. Se ao menos, tivéssemos tido a coragem de ter seguido um conselho!

Aos catorze, estas sabias palavras passaram-me totalmente ao lado, porque estava demasiado cega para ver e assim o preferia. Até que, duramente, tive de ver no quão má se tinha tornado a minha realidade, por uma má decisão, porque não escolher o que fazer também é uma decisão.

Quando somos novos, os problemas parecem engrandecer, como se fossem demasiado difíceis de resolver. É apenas uma questão de escolha. Escolher deixá-los acumular com medo da sua dimensão ou enfrentá-los, nem que seja com medo. Enquanto não formos capazes de resolver os nossos próprios problemas, não conseguiremos seguir em frente e aceitar as mudanças.

Em todos esses processos de aprendizagem e crescimento, é enorme o sofrimento por vezes, com que nos deparamos, só que tudo isso faz parte do processo. O processo exige que doa, por vezes. A mudança só se revelará quando estivermos dispostos a aceitar que cada ação provoca uma reação, que cada ato tem a sua consequência e que cada escolha tem um preço.

O preço de ser a nossa melhor versão é enorme, mas depende exclusivamente de uma boa escolha — à qual, nem sempre estamos dispostos a considerar. Mais tarde ou mais cedo, iremos ter de encarar as mudanças como elas são, porque chegaremos ao nosso destino, de qualquer jeito. Quer tenhamos decidido ou não. A vida sempre se encarrega de nos levar onde somos esperados.

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    Andreia Morais
    6 Junho, 2020 at 20:09

    A nossa vida é uma constante mudança, mesmo que algumas sejam mais subtis, ao ponto de nem termos plena noção de que estão a acontecer. Mas todos os nossos passos moldam-nos nesse sentido e vamos, pouco a pouco, compreender qual é o nosso caminho. E, melhor, que temos uma voz. Que as nossas opções contam e são válidas, desde que nos façam sentido e não prejudiquem terceiros.
    Faz tudo parte do processo. Só temos que aprender a desfrutar da viagem 🙂

    • Carolina
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      Carolina
      24 Junho, 2020 at 21:07

      Totalmente. Temos de aceitar cada passo e cada escolha, mesmo as que não foram escolhidas/ditas, automaticamente.

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