pessoal

O balanço dos últimos 4 meses

9 Outubro, 2020

“Precisamos falhar para praticar a coragem.”

4 meses, de várias idas ao tapete, de adrenalina, stress, ataques de pânico, ansiedade e reflexão. Muitas idas ao tapete que me serviram de lição e que me alertaram: tenho de parar, tenho mesmo de parar de ser assim. 

A pior coisa que podemos fazer a nós mesmos é ir acumulando problemas como acumulamos roupa que já não serve. Já não há espaço no armário, mas existe a estima pela roupa, a esperança de que um dia irá servir novamente. Acumular problemas e fingir que não os vemos, deixando o elefante a ocupar-nos a cama toda é o maior suicídio que podem dar à vossa saúde mental. Ir acumulando, tentando não explodir, engolindo e engolindo, é óbvio que um dia irá tudo ir pelos ares.

O meu maior erro foi sempre guardar tudo para mim e ir engolindo. Há muito que me deixei ser assim e fui deixando e deixando, até que agora não deu mais. Foi necessário agir, mas só assim consegui porque fui ao tapete, porque o meu corpo não aguentava mais o ritmo acelerado e stressante em que andava, sete dias por semana, sem cessar.

Não é necessário conhecer-me minimamente bem, para se ter conhecimento de que odeio falhar. Ora, falhar é humano, diriam vocês, sim, é humano, mas não tolero falhas, muito menos quanto as cometo. Fui-me impondo esta regra, desde miúda e agora, tão enraizada como está, é difícil arrancar-lhe a raiz. 

Foi a reprimir um ataque de pânico, um dia inteiro, que comecei a chorar desesperadamente, no trabalho (que se dane a vergonha!) que sentei-me e apercebi-me que não estava bem. A quem queria enganar? Colocar os problemas no armário deixa de dar certo depois de anos a fazê-lo. Só não falha/erra quem não trabalha, quem não faz. Se faço, haverá algum dia, em que irei errar. Calhou-me errar numa informação que entendi mal. Foi o caos. Na minha cabeça foi o caos! Parecia que tinha magoado alguém e no fundo, estava a magoar-me apenas a mim mesma, com tanto massacre. 

Aliado às idas ao tapete, em que só vi o quanto andava a fingir estar bem, há um internamento pelo meio. A ansiedade não é pera doce, disso já tinha a certeza, mas vê-la destruir emocionalmente a pessoa por quem me apaixonei, é sofredor. O quão bem podemos estar hoje e o quão mal podemos estar amanhã. A vida não avisa que tudo irá mudar, simplesmente muda. Há dias melhores do que outros, em que é mais fácil acalmá-lo, em que partilha comigo. Há dias menos bons e nesses há que ter uma dose dupla de paciência e compreensão pois a ansiedade é um mundo novo, que agora ele também está a conhecer. 

Começar a viver com ansiedade é como se nos tirassem o chão, de um momento para o outro. Há várias preocupações que nos vão seguindo, ao longo do percurso e umas tantas tentativas de não pensar nelas. É estar bem num segundo e passado outro já nos falta o ar. Cabe-nos saber lidar com algo que nunca tivemos, mas que nos irá acompanhar para o resto da vida.

O balanço dos últimos três meses não é famoso. Não é o melhor. Não trago novidades escaldantes. Trago a verdade comigo. De tanto cair, estou a aprender a não somente levantar e seguir. Estou a aprender a cair, refletir e só depois levantar-me e mudar os aspetos que me fizeram dar o tombo. Todos nós erramos. No trabalho, numa amizade, num relacionamento, com os pais. Não podemos é massacrar-nos constantemente por causa disso. Se antes pensava que tinha de mudar, agora tenho a certeza absoluta. E ao mudar, estarei mais disposta a ajudar quem mais amo. Não é isso, que nos faz tanta vez sair da cama?

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