love tales

Nós não vivemos para sempre.

15 Janeiro, 2020

A coisa mais cruel da vida é tudo ter prazo. É saber que tudo irá acabar. Que hoje podemos estar aqui e amanhã não. Que o calor não dura por muito tempo nas nossas mãos, esfriando no gelo. Que os beijos não perduram nos lábios, depois destes se deixarem de tocar. Que o abraço não dura para sempre. Que o amor não vive para sempre. Que nós não vivemos para sempre.

Uma vela não arde por muito tempo. A neve não fica intacta depois do inverno. A fogueira termina por se apagar. As fotografias estragam-se. Os relacionamentos terminam. As pessoas vão embora. Que nós não vivemos para sempre.

Então o que vale verdadeiramente nesta vida, onde tudo é cruelmente finito? Onde sabemos sempre que pode haver um fim, logo após o icebergue? O que nos faz continuar a atirar a todos os amores, a todos os começos quando sabemos da existência dos fins? Será que somos iludidos com o “para sempre”? Será que acreditamos mesmo que há amores que duram para sempre? Que há toques que nos marcam infinitamente? Que as vozes das nossas pessoas sempre existirão na nossa mente? Que as visões do passado sempre serão nítidas?

À medida que o tempo vai passando, se esgotando, o fim vai dando notícias. Está perto, virando a esquina noutro lado do planeta, mas durará pouco até nos fazer uma visita. Pode nem ser uma mudança definitiva, porém, quando sai da nossa morada, leva sempre algo consigo. Até ao dia em que nos levará consigo para uma volta ao universo. Ou até a outro planeta, quem sabe?

Somos finitos. Esta é a injustiça de viver. Tudo é finito. Tudo o que começamos pode acabar. Tudo pode acabar de um instante para o outro. Continuamos desejando o impossível, o “para sempre” que não existe, o amor infinito que começará e acabará num prazo definitivo. Fomos concebidos para iniciar e terminar, para ter um começo e um fim. Não importa a nossa história, a nossa esperança, a nossa fé ou força. Não há nada que impeça o fim de acontecer.

Todos temem o ponto final, o último parágrafo da história, mas poucos, verdadeiramente vivem o seu desenlace. Acho que crueldade mesmo é o que fazemos com as opções que nos são dadas, com as histórias que nos são dadas a conhecer e com as memórias que podíamos ter criado e não criamos. Tornamos o fim mais próximo. O nosso fim.

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    Andreia Morais
    15 Janeiro, 2020 at 18:52

    Acredito que, por sermos finitos, não podemos desperdiçar as oportunidades. Porque, enquanto não chegar a nossa hora, temos muito para viver. Para descobrir. Para conquistar 🙂

    • Carolina
      Reply
      Carolina
      19 Janeiro, 2020 at 11:48

      Totalmente de acordo. 😊

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