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Eu escrevo ou tu escreves?

9 Maio, 2020

Fora disto não sei quem sou. Fora do seu abraço não sei a que sítio pertenço. Fora de mim, não sei encontrar o lugar para voltar para casa. Fora disto, não sei o caminho para outro lugar.

Estar fora não é confortável. Pareço pequena de mais para o mundo em redor. O tráfego engole-me de passagem. Rodopio sobre mim mesma, sem saber que placa indicadora devo escolher, para seguir um caminho em rumo ao desconhecido. Ao imperfeitamente desconhecido.

Estar fora da minha zona de conforto é das coisas mais assustadoras, destruidoras e obscuras. O medo atravessa-nos, apanha-nos no escuro e absorve-nos. Para onde quero ir? Onde quero chegar? Será que alguém me espera do outro lado? O que será o futuro? O que é o destino? É confiável? Existe já um caminho feito para todos nós? Ou somos nós, com as nossas indecisões que vamos escrevendo e construindo o nosso próprio destino? Onde sou esperada? Onde quero ser esperada? Quais são os meus objetivos?

Queremos tanto. Dizemos que queremos muito, mas não sabemos o quê. Se nos dessem a escolher, o que escolheríamos? Bem, são tantas opções possíveis, sem sabermos em quais delas seremos bem sucedidos. Se nos dessem apenas três opções para seguir, seria mais fácil. Existem tantas possibilidades, todas elas podem ser o “caminho certo”. Será que ele existe mesmo ou não passa de uma ilusão para nos ajudar a focar em algo? Ou então, para acreditar que existe algo melhor lá mais adiante? O quê? Provavelmente, nada. Atualmente, nada fazemos, mais adiante, nada vai estar lá.

Até quando deixaremos o nosso destino nas mãos de outros? Até quando deixaremos que o caminho nos faça andar, quando pelos nossos próprios pés não queremos? Quando temos medo de dar os passos, devido à possibilidade de queda? Quando deixaremos de ter medo? Nunca. Nunca deixaremos de o ter. Contudo, enquanto não andarmos pelos nossos próprios pés, tentando encontrar o caminho que mais queremos, remando ao objetivo, nada nos levará lá.

O destino não está escrito. É apenas uma folha branca que trazemos no bolso, esperando por tinta fresca. Eu escrevo ou tu escreves?

Até quando irás sentir-te perdida cá fora? Não vai estar cá ninguém para te auxiliar ou até avisar-te sobre as quedas. Terás de salvar-te, terás de ter prudência e atenção. Só assim crescerás. Depende unicamente de ti. Descobre quem és, fora da tua bolha e vai ao encontro do que mais queres. Escreves?

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    Andreia Morais
    9 Maio, 2020 at 19:12

    Quando saímos da nossa zona de conforto parece que ficamos sem chão. Fica tudo mais imprevisível, mais incerto, mais intenso. E quase que parece que temos que aprender a caminhar de novo. Mas temos que continuar, por mais assustador que isso seja, porque somos os principais responsáveis pelas nossas metas.

    • Carolina
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      Carolina
      11 Maio, 2020 at 14:40

      Literalmente. Mas durante toda a nossa vida vão haver imprevistos e teremos de sair da nossa zona de conforto se quisermos ser quem queremos ser e ter o que queremos. Faz parte. Somos os únicos que podemos alcançar as nossas metas e por isso mesmo, teremos de nos arriscar.

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    Simple Girl
    10 Maio, 2020 at 21:03

    Porque “não vai estar cá ninguém para te auxiliar ou até avisar-te sobre as quedas”, ora nem mais!

    • Carolina
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      Carolina
      11 Maio, 2020 at 14:38

      Teremos de ser prudentes e aprender com as nossas quedas.

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