pessoal

como o tempo passa.

6 Maio, 2020

Levei anos ansiando atingir os dezoito anos, para a tão aclamada maioridade. O tempo varreu os dezoito e mostrou-me a realidade dos vinte e a sua própria realidade. Ele passa. Num piscar de olhos, o tempo devorou-me. Não se é tempo de abrandar, quando estamos numa euforia de correr atrás do que foi perdido, sem que se pense no que não estamos construindo.

Por muito tempo, questionei-me sobre o que realmente nos move e o que achávamos poder conseguir com a maioridade. Provavelmente, não tínhamos ainda um pequeno vislumbre do que seriam as responsabilidades em diante.

O peso nos nossos ombros duplica e carregámo-lo, dia após dia, semana após semana, sem nos livrarmos do peso adjacente. Porque carregar é uma opção dolorosa, quase sempre escolhida por muitos. Vamos carregando, porque é mais fácil deixar para depois do que enfrentar hoje. Nos tornamos assim, adultos irresponsáveis, que se julgam enganados pelo tempo, querendo recuperar a juventude perdida, os anos em que era verão em todas as estações. Só que a idade não volta e não diminui. Vai somando e somando. Nós estamos envelhecendo. Gradualmente.

Os dezoito são um engano, daqueles que nos apercebemos logo, ao fim de umas semanas. Nada muda em nós, porque atingimos maioridade. A mudança é um processo demorado, onde os passos são sempre dados por nós. Não pelos outros. Não é a nossa idade que avança os passos, buscando mudança. O tempo, esse, claro, avança.

Estamos parados. Tudo à nossa volta começa a ruir, outras coisas a construir-se. Novas realidades, novas pessoas, planos e metas, dificuldades e receios. Não passou a ser um mundo novo, só que o tempo parece ter ganhado força e hoje um dia equivale a dez. Se pararmos, já perdemos o comboio. É tempo de agarrar firme, ir com o vento, abraçar o tempo e desfrutar como nunca.

Daqui em diante, só poderão se arrepender pelo que não fizeram no presente dia. Se deixarmos para amanhã, talvez a vida passe e nunca soubemos o que de facto, era viver.

Os dezoito passam. Depressa. Rapidamente, temos de nos adaptar a uma série de coisas novas e de responsabilidades, só que não somos os primeiros, não seremos os últimos. Custa, no início, mas a estranheza é breve. Mais vale, agarrar com força agora, do que perder a oportunidade de agarrar a nossa própria vida.

O tempo passa, por isso, não te demores, onde não podes ficar; não te canses, onde não és amado. A vida terá os seus próprios ciclos, não importa a idade que tenhas. Todos eles têm início e fim. Aproveita o tempo em que duram, faz valer a pena. Crises existenciais como esta, podem acontecer em qualquer idade. Só agora começamos…

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    Andreia Morais
    6 Maio, 2020 at 18:01

    Romantizam-nos tanto a ideia de atingir os 18 anos, que, depois, há sempre alguma frustração associada.
    Por acaso, nunca me senti particularmente ansiosa por lá chegar, mas sinto que, perante todos os estímulos que vamos recebendo, é difícil não fazer disso um grande feito

    • Carolina
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      Carolina
      8 Maio, 2020 at 1:56

      Para mim era o começo de uma nova fase que acabou por acontecer, mas não de todo da forma como esperava que acontecesse. Acontece. Romantiza-se muito lá está, são muitas as expectativas mas nada muda de um momento para o outro, só por causa de mais um número.

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    Simple Girl
    7 Maio, 2020 at 20:07

    Por acaso nunca fui de ansiar por isso, mas que o tempo passa rápido passa!

    • Carolina
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      Carolina
      8 Maio, 2020 at 1:55

      Passa mais rápido do que gostaríamos.

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