love tales

Ai, se eu pudesse…

13 Abril, 2020

Há coisas que a vida não nos devolve, como os abraços que não demos enquanto ainda tínhamos tempo. Há palavras que o vento não leva, mas traz constantemente. Há coisas que foram ditas que jamais foram sentidas, porém perduraram na memória de quem as ouviu, sem podermos tirá-las ou remediá-las.

Há tanta coisa para a qual já não encontro solução ou saída. Acho que andei perdida e ainda o estou, procurando lugares onde pertencer e quem sabe um dia regressar. Pois só isso podemos fazer: regressar a lugares onde tanto vivemos, onde jamais iremos repetir as mesmas memórias. Essas, não se repetem. Por mais que as pessoas sejam as mesmas, há sempre uma energia diferente, um gesto que não foi feito de igual modo. Se fizéssemos tudo igual, significaria que nada tínhamos evoluído com o tempo.

Apesar de tanto ter aprendido, há coisas que gostaria de poder mudar. Sei bem o quanto o meu presente se modificaria, com algumas retificações no passado, mas quem é que nunca se imaginou a fazer algo diferente? Quem é que nunca usou isso como esperança ou consolação?

De facto, somos forçados a habituar-nos a conviver com memórias irreversíveis, sem repetição, a viver com a falta de certos abraços, de pessoas especiais. Somos forçados a viver com a falta delas, com a saudade do seu abraço e da sua voz e até por vezes, iremos esquecer-nos de pormenores dessas pessoas. Como seria a sua voz? Como me chamava? O que poderia ter dado que não dei?

Somos ingénuos, em tenra idade. Acreditamos que tudo é eterno, não damos hoje porque podemos dar amanhã e de um momento para o outro, encaramos despedidas sem as entender de verdade. Pensamos que no dia seguinte, poderemos encontrá-los pela rua, dar-lhes o abraço que não lhes demos hoje. Só quando a sua ausência constante nos acorda é que nos percebemos do quanto erramos e de que nada pode ser deixado para depois.

A vida ensina. Só não nos ensina a não ter saudades, a não querer voltar atrás e receber de novo, aquele aconchego; a ouvir as vozes de quem mais amamos na vida, sem saber da falta que fariam, sem sabermos medir realmente o amor incondicional que sentíamos. Não nos ensina a conviver com uma ausência que magoa. Magoa tanto que nos sufoca por dentro. Ai, se eu pudesse… faria tudo o que não fiz. Daria tudo o que não dei. Agora sinto falta incessantemente, sem reconforto possível. Não há abraço, voz ou pessoa idêntica.

As pessoas chegam e partem. Há umas que nascemos e já fazem parte da nossa vida, de nós, só que brindam-nos com a sua partida precoce, quando não sabemos o que é sentir falta, o que é verdadeiramente a saudade. Não se querem ir embora, deixar-nos desamparados, com a dor desolada da sua partida e vão. Vão porque têm de ir e nós temos de conseguir viver cada dia sem eles para nos auxiliar, a conviver com a nostalgia eterna. E jamais nada voltará. Ai, se eu pudesse… voltar atrás no tempo!

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    Andreia Morais
    13 Abril, 2020 at 18:22

    Acredito que fazemos o melhor que sabemos em qualquer circunstância. E, embora haja sempre alguma coisa que gostaríamos de mudar, a verdade é que todos esses passos marcaram o nosso crescimento; tornaram-nos mais nós!

    • Carolina
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      Carolina
      17 Abril, 2020 at 21:01

      Concordo plenamente, mesmo que nem sempre seja fácil ver isso com facilidade.

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    Ideiasrecicladas
    22 Abril, 2020 at 19:52

    Ai, se eu pudesse… ?

    • Carolina
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      Carolina
      22 Abril, 2020 at 22:51

      Nem tudo podemos, infelizmente. ?