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A Menina que Roubava Morangos

27 Fevereiro, 2020

16 anos depois da primeira aventura na vila de Lansquenet-sus-Tannes, surge Vianne Rocher, na sua tão familiar chocolaterie, acompanhada pela sua menina especial, Rosette, com dezasseis anos. Anouk, surpreendentemente, mudou-se para Paris, para ficar com o rapaz que lhe roubou o coração e Roux mantém-se no seu barco, atracado no rio Tannes.

Para mim, os espíritos são só pessoas com histórias inacabadas para contarem ao mundo. Talvez seja por isso que tentam voltar.

Após a morte de Narcisse, um homem velho e solitário que tinha uma loja de flores, Rosette fica com a responsabilidade do bosque dos morangos e Reynaud com uma confissão. O dossier entregue ao padre conta a história de Narcisse, o pecado que carregou até ao leito da sua morte. Só que agora, em forma de confissão, é dada a conhecer ao curé, para ter a sua absolvição.

Ao mesmo tempo, antiga loja de flores é arrendada por Morgane, que tatua a pele das pessoas, com aquilo que necessitam. Novamente, o chocolate irá ser posto à prova e Vianne Rocher terá mais uma inimiga. Poderá derrotá-la? Poderá o chocolate voltar a surtir efeito? Será que juntamente com o seu aliado, Francis Reynaud, irá conseguir expulsar a mulher da loja de tatuagens?

Todas as crianças são roubadas, diz a minha mãe. Mantemo-las perto de nós tanto tempo quanto podemos. Mas um dia o mundo volta a roubá-las. Foi o que disseste no dia em que ela nasceu. Foi por isso que lançaste o círculo na areia.

Ao ler o dossier, Francis desconfia que lá contenha o seu próprio segredo, o que lhe destruiria a reputação e carreira e que mais valia morrer do que ficar para ver os estragos. Com a ajuda de Morgane e de Rosette, descobre a real versão dos factos. A história que lhe havia sido contada e que carregava desde a adolescência, não era de todo verdade. Quem teria, portanto, incendiado o barco atracado no Tannes?

Rosette, dando também voz a todo o livro, enchendo-nos com a sua magia e com a sua própria perspectiva das coisas, descobre como libertar-se. Descobre como recuperar a sua voz e a usar a tinta para ver o que as pessoas precisam ou ocultam.

Privada da sua voz, a filha não podia ser como as outras meninas. E com isto a mãe ficou contente, porque queria dizer que a sua filha ficaria sempre e para sempre ao seu lado. Mas nunca contou a ninguém como a criança perdera a voz. Escutava o grito do gato e sabia que o vento as tinha poupado.

A Menina que Roubava Morangos, julgo que termina este quarteto e felizmente da melhor maneira. Revela-nos os receios de uma mãe, o que o vento pode trazer, que as coisas que nos pertencem, voltam sempre para nós. Revela histórias emocionantes, os segredos mais bem guardados e verdadeiramente, as pessoas. Que não é por termos errado que somos pessoas más.

Por vezes, as pessoas fazem coisas más. Isso não as torna pessoas más.

Lansquenet-sous-Tannes sempre irá deixar-me saudades e espero voltar a esta vila, mais umas quantas vezes, para revê-la com carinho. Estes foram os meus primeiros livros de Joanne Harris e certamente, irei devorar todos os outros.

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