pessoal

30.06.2019

30 Abril, 2020

Às vezes, eu preciso de me isolar para poder pensar. Preciso sossegar e não falar com ninguém. Curar o que me incomoda, ou pelo menos tentar. Isolo-me muitas vezes do mundo por simplesmente não conseguir suportar.

Estou isenta de sonhos, de boas energias e de possíveis forças para continuar na batalha. Até então a força parecia estar do meu lado, e sem que pudesse contar desapareceu, para mal dos meus males. Há tanta escuridão e dor dentro de mim, que me falta ao ar. O sufoco começa a estrangular-me, a massacrar-me, a fazer-me querer desistir.

A dor é tão grande que se a arrancasse, ela teria maneiras de continuar a ser um parasita no meu ser. Há coisas que precisam ser sentidas e a dor é uma delas. As emoções derrubam-nos com uma facilidade assustadora. Damos-lhes as armas e o poder, mas no final, somos nós a puxar o gatilho e a terminar uma coisa que nem começamos. Somos nós que temos todo o poder de decidir e de escolher.

Preciso desligar, voltar a carregar baterias e ter corrente suficiente para continuar. Desligar por minutos ou até dias, para poder deixar sair o que não deixei até então, para poder não me sentir tão confusa, num mar repleto de incertezas e caos.

À minha volta só vejo destruição. A minha própria destruição já vai na conta. Nem sempre sabemos quando parar. Às vezes, imaginamos que a falta de silêncio é merecedora e melhor do que um ruidoso silêncio. Só que as balas são irrequietas, fazem-nos lutar com a nossa própria insanidade. Nunca ninguém nos ensinou a ter controle sobre uma arma apontado à nossa própria cabeça.

Os sentidos fogem-me e não sei onde atracar, talvez demorei-me por muito tempo neste lugar. A escuridão saboreia-me, faminta, finalmente tendo a certeza de que me consumirá. Deixei que a dor me levasse de mim, agisse por impulso e me deixasse com silêncios impossíveis de preencher. Não parei e deixei de ser reparável. Já nem sou esperada. Caí no abismo que sempre me chamou para junto de si. Silêncio, finalmente, cheguei.

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    Andreia Morais
    30 Abril, 2020 at 18:32

    Há momentos em que sinto que temos que curtir a nossa neura, a nossa solidão, porque é importante para perceber o tempo que devemos despender e a energia que nos consome. Mas, depois, não nos podemos permitir afundar

    • Carolina
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      Carolina
      1 Maio, 2020 at 0:53

      O silêncio e estarmos sozinhos pode fazer-nos muito bem. Mas não deve ser uma escolha permanente. Há que ter um equilíbrio.

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