Os últimos dias de uma grande jornada

Falei-vos no último outfitpost que já começava a sentir falta de imensas coisas, todas elas envolvendo a escola. Gostaria de registar todos esses sentimentos, que pela escrita ficam mais fáceis de escrever, por aqui. Talvez não tenha sido a única a pensar assim. I hope not!

Sempre quis terminar a escola. Lembro-me que no meu 6º ano só pensava em que curso iria matricular-me. Chegando ao 9º ano, as decisões caíram somente nas minhas costas e nessa realidade já não estava tão entusiasmada. Afinal, tinha um grande mundo de desconhecimento a enfrentar. Eu não tinha ideia do quanto estes 3 anos de curso, numa turma que aparentemente eu achava que não daria certo iriam ter o impacto que tiveram na minha vida.

Foram 3 anos em que me diverti imenso. Não tenho razão de queixa: a turma que me calhou foi a melhor. Digo-o com a maior tranquilidade deste mundo. Fiz o maior drama quando vi a listagem dos nomes. Era a única rapariga. Só pensava “vão comer-me viva!” mas não. Não houveram comentários do tipo “uma rapariga não consegue fazer isto!” nem nada com que se pareça. Tive imensa sorte. Sempre respeitaram, brincaram e muitos deles às vezes, esqueceram-se que era rapariga e falavam, bem, algumas coisas que não deveriam falar. A verdade é que acabava sempre por rir e ignorar o facto (risos). Afinal, faziam-no e fazem, de forma tão genuína, que não vejo maldade nenhuma.

Na última semana (de 5-9) não recebemos horário na sexta feira. Quando nos informamos e disseram que não haveria mais aulas não senti a adrenalina de “wow não tenho aulas!” mas sim a angústia que era a falta delas. Faço-me entender? Queria mais. A sério. Não me importava até de ter o professor do Linux a dar-me matéria todos os dias. Repetia aquelas instalações e configurações uma data de vezes se fosse necessário. Senti-me triste. Pois então, quando comentaram que seria o nosso último almoço todos juntos, senti a realidade a pesar-me imenso nos ombros. Não podia acreditar!

Agora entendia a famosa frase de “vais ter saudades da escola”.

Já tenho. Isto de ser adulto e ir trabalhar todos os dias, ter obrigações e contas para pagar, anda a dar-me voltas e voltas à cabeça. Não dá para repetir estes três anos, de novo? Acima de tudo, acho que não aproveitei o suficiente. A verdade é que nunca aproveitamos o suficiente. Falta-nos sempre rir mais, brincar mais, aprender mais. Fiz meio que, um flashback na minha cabeça, de todos os momentos, desde o início desta jornada, até este fim tão próximo. É horrível saber que está a terminar.

Na próxima semana apresento a prova de aptidão profissional e resta-me depois alguns dias até à nova etapa: o mundo do trabalho. É tão estranho sentir que sou “adulta” (?), que tenho de me comportar como tal, que tenho de trabalhar e não estudar… Para quem é tão jovem quanto eu, e se pensam que tenho mais de 20, desenganem-se, é uma forte pancada de que “este agora é o teu mundo e vais sofrer nele também”. É claro que é inevitável este passo. Todos nós já passamos por ele, algum dia. Uns mais cedo e outros mais tarde.

Na conversa com um amigo, ele disse-me uma grande verdade: só deixamos de estudar se queremos, posso estudar todos os dias e trabalhar na mesma.

A verdade é que nem me assusta o facto de não continuar a estudar, porque posso muito bem fazê-lo em casa e pretendo tirar mais alguns cursos, mas sim o de que não o farei apenas. Não só estudarei como irei trabalhar ao mesmo tempo.

Quantos trocadilhos haverão pela frente, nesta vida? 

Não sei se estou preparada para eles, nem tão pouco consciente de que eles vão existir, porém sei que darei a volta por cima. Não podemos fazer um problema gigante de algo que não tem importância nenhuma.

No mundo do trabalho sei a quanta rivalidade há entre colegas, o egoísmo e o egocentrismo. Sei lidar com alguns dos sentimentos anteriormente descritos, porém sinto que não estou preparada para o “roubaram-me o posto de trabalho”. Só sei que consegui entrar numa das “maiores” empresas de cá e não podia estar mais contente, porém se não me esforçar termino no centro comercial – o que não é mau de todo, porém se tenho possibilidade de trabalhar num sítio melhor, então que seja por lá que fique.

De qualquer forma é necessário empenhar-me e trabalhar muito para que possa triunfar no mercado de trabalho. O capítulo da escola, infelizmente, encerra-se assim. E sim, agora tenho de concordar com os meus pais que é lixado deixar a escola, tortura-nos, faz-nos chorar e fará falta sempre. Já deixa imensas saudades.

Um brinde porque, p$rra consegui escrever isto e sobrevivi (sou mesmo dramática) a todos os anos de ensino! 🍾 Que venha o estágio, que mesmo não me sentindo pronta estou entusiasmada (risos). [Sei bem que depois o entusiasmo vai diminuindo ao longo dos dias.]

Quando saíram da escola tiveram o mesmo pensamento? Ou estavam super entusiasmados por a deixar finalmente? 

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  1. A sensação de quereres repetir esses 3 anos é óptimo! Às vezes também gostava de voltar :b A vida adulta não é um bicho de sete cabeças, por vezes parece, mas há sempre salvação ahaha
    Desejo-te tudo de bom

    Beijinhos

    1. Tem de haver visto que tantos sobrevivem (risos). Muito obrigada 💙 Beijinhos

    2. Tem de haver visto que tantos sobrevivem (risos). Muito obrigada 💙 Beijinhos 😁

  2. Cassy Frost says: Responder

    Acho que vou lembrar sempre a maneira como olhei para aqueles portões da entrada pela última vez, a última vez em que sentes que pertences àquele sítio. Relembrar aquele cantinho onde fizeste algo, relembrar as palavras que ouviste noutro, o sítio onde te reunias com os amigos no intervalo…

    Agora que saí, olho para aquele passado e digo que foi a pior e melhor fase da minha vida.

    Nisso os filmes têm razão: o secundário é uma treta.

    Mas ajuda a moldar o rascunho que hoje vamos aperfeiçoando: o nosso eu.

    1. Sim, não posso negar que não tenha sido uma faca de dois gumes, a escola, porque o foi. Passei por coisas horríveis e por outras muito boas, mas o que importa é que foi tudo superado e cá estamos a acabar este ciclo e a fechá-lo para sempre. Muitos beijinhos 😘

  3. É muito estranho passar por tudo isto! E, honestamente, há muitos dias em que ainda me faz confusão não acordar cedo para ir para a faculdade. Fez, em janeiro, um ano que terminei as minhas aulas e se, por um lado, é um sentimento de conquistas, por outro lado, deixa também uma sensação de nostalgia gigantesca. Por tudo!
    Não sei quem disse que a vida adulta tinha graça, mas estava enganado :p
    Muitos parabéns por esse fim de ciclo. E a maior das sortes para o que vem aí <3

    r: Muito obrigada, minha querida!

    Beijinho grande

    1. Deve ser super esquisito não? Espero conseguir trabalho logo após o estágio senão pego de cabeça. Muito obrigada querida 💙 Beijinhos

  4. Primeiro que tudo, muitos parabéns Carolina! Espero mesmo que te corra tudo bem, que te divirtas, que aprendes e ganhes experiência 🙂

    Respondendo à tua pergunta: acabei o meu mestrado em janeiro deste ano e embora seja explicadora, sinto IMENSAS saudades de aprender, de estudar, de escrever, de descobrir coisas novas. E eu que me queixei tanto de como estava farta de trabalhar quando apresentei a tese ahaha

    Por isso, percebo-te perfeitamente! Um beijinho*

    1. Muito obrigada querida! De todo que esta semana pré-apresentação não está a ser de todo fácil. São muitos os erros e nervos que andam à mistura quase de mãos dadas, para não dizer que andam mesmo. Mas devagar lá chegaremos!

      Oh acredito. Ainda só dás explicações? Beijinhos 😘😘

  5. Quando acabei a faculdade, quase festejei o facto de não ter que estudar todos os dias e ter o tempo todo para mim; no entanto, partilho da opinião da Andreia Morais, quando começamos a entrar no mundo do trabalho percebemos que afinal a vida de adulto não é cor-de-rosa como a pintamos. Eu pessoalmente não gosto de ser adulta, é demasiada responsabilidade.
    Beijinhos!

    1. Às vezes acho que não aproveitamos enquanto somos adolescentes. Podia ter aproveitado bem mais, mas passei totalmente à frente da adolescência e do bom que a mesma tem. Que é muita responsabilidade? Claro que sim. E é assustadora por sinal, porém devagarinho chegamos lá e haveremos de arranjar uma solução. Beijinhos 😘

  6. Já deixei a escola há quase dez anos e mesmo assim, tenho imensas saudades desse tempo. Da despreocupação, do convívio.. Enfim, ser adulto é muita responsabilidade, ainda não me sinto adulta xD

    1. Acho que também não me sentirei adulta após sair da escola. As responsabilidades vão pesar mas ainda assim acho que não irei considerar-me já “velha” devido a isso. Beijinhos 😘

  7. Talita Paschoal says: Responder

    A escola dá mesmo imensas saudades! Dá-me vontade de achar um controle e ativar o modo “repeat always” tal qual nas playlists de música que temos no telemóvel. Eu queria ter feito as coisas de um modo diferente do que aconteceu, eu aprendi aos bocados na escola (leia-se escolas pois nunca fiquei numa por muito tempo do primário ao secundário eu passei por 4 escolas) e no mercado de trabalho eu tentarei fazer diferente.
    Se falo com duas ou três pessoas que estudaram comigo se é muita coisa, eu não era (leia-se sou) -digamos que- sociável.
    Estar numa sala onde apenas se têm meninos é mesmo muito legal, eles falam as coisas na maior naturalidade, dão-te alguns conselhos parvos e te ensinam a fazer muita m$rda. ahahah
    Abraço apertado para ti, mana e espero que te saias muito bem nesta nova empreitada pois mereces ! 💙

    1. É uma jornada que infelizmente chegou ao fim. Até posso continuar a estudar mas nunca mais na escola, e não com os meus atuais colegas. (Já até tenho saudades deles 😞)

      Tenta mesmo ser diferente mana! Eu desde que tive numa turma de rapazes que falo muito mais e sou mais sociável. beijinhos 😘😘

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