O direito a “deixar de seguir” nas redes sociais

Com o aparecimento das redes sociais acredito piamente que muitas coisas mudaram, principalmente a forma como as pessoas encaram os números. Parece que para algumas, o número de likes, seguidores e visualizações é tudo. Não é o centro do mundo. E tal como eu, há quem se esteja a fartar das modas que circulam nas redes sociais e em geral, toda esta nova era de exibicionismo e do sucesso e fama que a maioria quer alcançar. 

Há várias “modas”, no Instagram e no Facebook, que inicialmente tinham grande impacto, mas, lá está, quando algo se torna mais visível, o rebanho segue a mesma tática, deixando assim os seguidores massacrados de tantos assuntos iguais. Parece que quando um tema “rende”, aparece uma manada, sabe-se lá de onde, para escrever sobre o mesmo e clicar centenas de vezes na mesma tecla (que passamos a decorar, após a vigésima foto, sobre o mesmo tema). 

Cada um é livre de partilhar o que quiser, tal como cada um decide o que quer e o que não quer ver. 

Há quem mostre o seu corpo, no feed, nos stories, em vídeos. O facto de estarmos mais receptivos a que mostrem o corpo, de forma a simbolizarem o quanto gostam do mesmo, os seus antes e depois de perca ou ganho de peso, não significa que gostemos de passar no feed e ver somente fotos mais ínfimas só porque estas têm mais visibilidade e likes. 

Há sim, quem faça e publique fotos destas para aumentar a sua auto-estima. Como, anteriormente, referi, cada pessoa é livre de publicar o que quiser, mas não nos é difícil pensar duas vezes, antes de tirarmos essas fotos. 

Há quem batalhe na tecla de que sim, devemos apoiar-nos mutuamente e deixarmos-nos de críticas quanto às outras mulheres (homens), mas será que uma pessoa que psicologicamente ou fisicamente não está, de todo, confortável consigo mesma, ficará bem? É nisto que vejo o quanto criticam e fazem igual, porque antes, as famosas tinham este tipo de comportamento e uma notável percentagem surgia com o facto da celebridade ter tratamentos estéticos ou não ser de todo “natural”, de ter demasiada edição na foto. Deixemos de ser hipócritas! Editamos as nossas fotos, cobrimos o rosto de maquilhagem e aparecemos nas redes sociais com as nossas vidas demasiado reais ou perfeitas. Há quem diga que a foto integra-se na #nomakeupday quando claramente vê-se que deu um “jeitinho” nas olheiras e na pele. 

E nisto, resume-se grande parte das modinhas que faz algumas pessoas desistirem de seguir certas bloggers e famosas. E é ok. É um direito nosso. Temos liberdade para tal. 

Parece que “deixar de seguir” é crime. 

Não é porque deixaram de seguir-vos, que passam a ser vossos/as inimigos/as. Paremos de achar que qualquer ação é motivo de vingança! Há apps que indicam mesmo quem deixou de seguir o vosso perfil e é aí que há quem divulgue que fulano ou sicrano não pertence mais aos seus seguidores e que faça boa viagem. 

Se deixamos de gostar do conteúdo presente em algum perfil, porque já não é de todo o que queremos ver (porque os nossos gostos mudam e isto é perfeitamente normal, ok?), temos liberdade para deixar de querer ver esse mesmo conteúdo. 

Temos o direito de “deixar de seguir” alguém nas redes sociais se não nos identificamos com o conteúdo ou por outra razão qualquer. E sinceramente? Mais um seguidor ou menos um, os números sempre irão oscilar. Hoje poderão ter 2560 e amanhã 2540. Distinguem o típico “seguir e deixar de seguir” do “deixar de seguir” apenas. O segundo simboliza que por um tempo, a pessoa gostou do que partilhavam, agora já não. O primeiro claramente é uma jogada para terem o vosso follow. E não, não têm de pedir satisfações pelo porquê do unfollow. Se deixou de seguir é porque claramente deixou de se identificar. Simples. [Deixem de dramatizar por causa de números.]

É por isto que, pessoalmente, tenho-me distanciado das redes sociais, pela forma como banalizam certos momentos e temas que têm uma importância maior do que é mostrado nas fotos e nos stories. Porque todos querem ter protagonismo e fama, pelos assuntos que rendem, sendo que muitas vezes, nem passaram pelo mesmo problema/situação. E isto é frustrante. Desisto mesmo de seguir, porque quando não estamos bem num lugar, devemos ser capazes de abandonar o barco. Escusado será dizer que devemos seguir pelos conteúdos, se gostamos e nos identificamos com alguém e não seguir por seguir. Fica a dica. 😉

Já tiveram alguma experiência menos positiva ao deixarem de seguir alguém?

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  1. A estratégia de seguir e deixar de o fazer, imediatamente, após terem retribuição, demonstrando que estão numa caça ao follow, irrita-me. Porque é desleal e só mancha a verdadeira essência da partilha. Contrariamente, lido bastante bem quando deixam de seguir por falta de identificação. E isso não quer dizer que a pessoa tenha deixado de ter conteúdo relevante, simplesmente quem seguia descobriu novas preferências. Faz parte. E não tem que haver um drama por causa disso

    Beijinho grande <3

    1. A mim irrita-me também, mas já nem tenho a app para ver isso, porque não vale mesmo a minha irritação. São números apenas. Também acho que sim, apesar de haver várias variações de comportamento de pessoa para pessoa. Acho que não deveria haver qualquer tipo de drama sobre isso, mas há quem ache que sim. 😒 beijinho 😙

  2. obrigado, meu bem! sem dúvida que é um projeto que é difícil não abraçar 🙂
    sim, fiz uma tour pela casa. nós ficámos num “apartamento” que pertence à câmara. as condições eram muito boas, salvo a falta de água canalizada (só durante a manhã)…

    já tinha dado por mim a pensar sobre isto!!! realmente há muito estigma em deixarmos de seguir as pessoas… e eu tenho-o feito quando não gosto ou não identifico com o conteúdo. confesso que, de início, mesmo que não gostasse, seguia na mesma com “medo” de receber alguma mensagem a perguntar por que raio tinha deixado de seguir a pessoa ahaha
    hoje em dia não me importo de deixar de seguir!

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    1. Acho até que é bom ter água só de manhã, faz-nos ver o quão sortudos somos por tê-la ao nosso dispor a qualquer hora e muitas vezes desperdiçamos. Irei ver os restantes vídeos (atualmente, tem-me sido difícil, mas irei ver todos!).

      Também tinha esse medo, mas atualmente, estou-me mesmo a borrifar para o que pensam ou deixam de pensar acerca de mim. Até porque deixei de ter conta profissional e passei a tê-la pessoal. Retirei vários seguidores fantasmas (de 1000 para 200 e poucos) e está privada. Sinto-me bem melhor assim. Mas cada um sabe de si e apoio. Só acho que não deveríamos seguir alguém só porque sim. Há que no mínimo, gostar do conteúdo que a pessoa posta. Beijinhos

  3. Muito obrigado, meu bem 😀 fico mesmo feliz por ler isso. De verdade!
    Sim, de facto foi uma viagem e tanto. Talvez a viagem da minha vida e que mais me fez mudar interiormente. Cabo Verde é terra de gente, de coração. :’) Estava a pensar fazer um vídeo com o rescaldo sobre isso… :p

    Voltar à Parfois também me fez bem… fez-me voltar ao ativo e sentir que as pessoas sentiam a minha falta; que fazem questão que lá estejam; e que me incentivam a ser mais e melhor! agora custa um bocadinho mais porque saiu uma colega e eu dava-me mega bem com ela 🙁 mas pronto, a vida é mesmo assim!

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    1. Deverias mesmo fazer um vídeo sobre isso. Seria mesmo genial!

      Acredito mesmo que sim. Nem sempre voltar aos sítios é algo mau e voltar ao local onde fomos felizes na maioria dos dias é sempre muito bom. Oh, acredito que sim. É uma pena ela já não estar lá, mas a vida é mesmo feita de escolhas e temos sempre de ir em busca do que nos faz melhor. beijinhos

  4. r: Partilho da tua opinião, acho que esse equilíbrio é fundamental. Porque, infelizmente, há quem se aproveite da bondade dos outros, assim como há quem se faça exageradamente bondoso e só tenha segundas intenções.
    Sim, claro, também depende com quem estamos a lidar e com o grau de proximidade e conhecimento

    São animais tão elegantes e ternos *-*

    Muito obrigada, minha querida! Sim, ela leu ❤
    É uma decisão complicada, mas, por mais lugar comum que seja, segue o teu coração. Pesa os prós e os contras desse encontro e deixa-te ir. Se pesar mais a vontade de vir, então, não deixes escapar a oportunidade. Caso sintas que ainda não é o momento, não te martirizes. O importante é que te sintas confortável com a tua decisão e de certeza que ele irá compreender
    Acho que tem tudo que ver com a energia da pessoa 🙂

    Beijinho grande*

    1. Sim, é mesmo. Mas hoje em dia, mais vale andar de olho aberto do que acreditar cegamente nas pessoas.

      Acho que sim também. Deixarei mesmo o coração decidir. Beijinho e muito obrigada 😊

  5. r: É que rima mesmo :p ahahah
    Não consigo resistir às doces, são o meu calcanhar de Aquiles, por isso é que tenho que fugir delas, caso contrário, desaparecem rápido

    É importante não o permitirmos, porque acabam por nos sugar a nossa boa energia. E isso não é saudável. «E sou livre», que bom que é ler isso, minha querida!
    Oh, já podias ter perguntado há mais tempo, não havia qualquer problema 😀 a data que aparece no final corresponde ao dia em que o texto foi escrito. Alguns foram inspirados em acontecimentos e/ou, simplesmente, em detalhes que vivenciei (não necessariamente naquele dia, mas em algum próximo), mas a maioria é fictícia

    A nossa disponibilidade – temporal e emocional – influencia bastante a leitura e nem sempre é fácil conjugá-la com os nossos compromissos.
    «Ela Primeiro» nunca li, mas tenho curiosidade.
    Tenho a certeza que sim, até porque os livros têm uma capacidade terapêutica extraordinária

    Beijinho grande, minha querida <3

    1. Ahahah. No cinema até não como tanto. Costumo comprar as médias e sempre dou o restante a quem vai comigo ahah.

      Exato. Nunca tinha refletido tanto sobre isso como agora, e sinceramente, também nunca tinha acreditado tanto nisto como neste momento. Ah, obrigada mesmo por me teres esclarecido ahah. E sim, podia ter perguntado há mais tempo, mas sempre que ia para perguntar, muitas vezes, esquecia-me.

      É mesmo. “Ela Primeiro” é um livro de diferentes opiniões. Há quem ache que é um livro escrito por um machista e que nada sabe sobre como tratar verdadeiramente uma mulher e há quem leia sabendo mesmo que é um livro erótico com alguma história à laia de Christian Grey e não vê aonde está o machismo. Beijinhos 😊

  6. Passo a vida a perder seguidores, mas confesso que nunca tive nenhuma experiência menos boa com isso. Sou da mesma opinião que tu, há conteúdos que nos interessam mais, e às vezes as paginas / pessoas que seguimos mudam de registo (ou até mesmo nós mudamos os nossos gostos) e não há nada de mal parar de seguir nessas situações 🙂

    Beijinhos ^^
    O blog da Mó | Instagram | Facebook

    1. Perdes os que verdadeiramente nunca quiseram ficar e desses não precisas (verdade seja dita). Os números sempre vão diminuindo e aumentando devido a quem segue e deixa de seguir se não recebe follow de volta. É uma pena. Mas não há mal nenhum em mudarmos de opinião, até porque os nossos gostos vão mudando com o tempo. É algo natural e normal. Beijinho 😊

  7. r: Muito obrigada ❤
    A mensagem é extremamente importante e teve aspetos interessantes na sua abordagem, mas depois acho que o foco se perdeu. A certa altura, senti que se tornou mais uma vingança do que um sentido de aprendizagem. E é uma pena, porque podiam ter criado um livro/série brilhantes

    Beijinhos, minha querida*

    1. Exato. Foi mesmo uma pena depois terem deixado de seguir o foco principal. Beijinho 😊

  8. Concordo. Infelizmente existe muita hipocrisia nos conteúdos online. Mas também existe muito conteúdo de qualidade… temos é de os encontrar. Gostei deste artigo. Muito bem escrito parabéns

    1. Claro. Há de tudo. Mas a hipocrisia há em excesso ahah. Muito obrigada querida! 😊

  9. r: E quando se trata de família e amigos, por serem pessoas próximas, acabamos por dizer ainda menos o que sentimos, porque acreditamos que elas sabem o que nos vai no coração. E a verdade é que sabem, mas também acho importante reforçá-lo verbalmente, porque é sempre bom ouvi-lo de quem nos é tanto!

    O problema é mesmo esse, começamos a pensar em demasia e depois recuamos. Esses ses atacam-nos de tal forma, que duvidamos das nossas escolhas. E, muitas vezes, à custa disso perdemos oportunidades extraordinárias.
    Isso é uma demonstração clara de mudança. E que bom que é estares a conseguir fazê-lo 🙂
    Sim, também acredito nisso, porque compreendemos que nem tudo acontece no momento em que estamos à espera e porque entendemos que não temos que ser iguais aos outros

    Beijinho grande <3

    1. Precisamente, mas muitas vezes é necessário ouvirem mesmo, do que apenas suporem.

      Não diria melhor. Já foram tantas escolhas que não tomei por medo dos ses e hoje arrependo-me imenso. Beijinho grande 😊

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