A nossa despedida

Sem que nem eu notasse, chamaste-me naquele dia para a despedida mais traumática da minha vida. Proferiste umas quantas desculpas. Enganaste-me da pior maneira. Curaste a ferida, para depois abrí-la até não ter como curar, de novo. E tão cega acreditei que tudo estava a compor-se, que era apenas uma turbulência como todas as outras, mas não era e no fundo eu sempre soube que tu nunca irias ter maturidade o suficiente para terminar tudo com dignidade.

Há algum tempo que olhava-te em silêncio pensando “o que estou raio estou a fazer?” porque, quer queira quer não, tu nunca foste um homem de decisões, de atitudes corretas, nem tampouco o que eu tinha sonhado. Contudo, eu estava dependente de ti para tudo. Esse foi o meu maior erro. Deixar que fizesses de mim o que bem querias; só ir para onde querias; fazer apenas o que permitias. Eu não era livre nesse relacionamento, muito pelo contrário. Estava presa. Demasiado presa para entender que havia um mundo lá fora e eu estava perdendo cada pôr de sol e cada amanhecer – porque todos eles são diferentes e igualmente mágicos.

E quando vi as horas e ligaste o carro soube que nunca mais lá entraria, que nunca mais iria ver-te. Eu sempre soube. A verdade é esta. Eu sempre soube que não eras o “tal“; o que iria revolucionar a minha vida, porque a única coisa que eu sempre quis, foi ser livre e não me era permitido tal coisa, do teu lado.

Doía deixar tudo para trás. Ainda dói, porque sempre lutei pelos dois (outro erro) e no final, de que valeu o esforço? Resultou apenas numa pessoa magoada e a outra feliz porque conseguiu tudo o que queria? Confesso que esperava de tudo, mas não isto. Não o que se sucedeu, em seguida. Quanta mentira. Quanta desilusão. No meu peito, por anos tiveste um lugar que antes não tinha deixado ninguém entrar, mas hoje não ocupas mais nada a não ser as memórias – essas que por mais que rasgue fotografias, elimine tudo o que é teu do telemóvel, nunca serão apagadas.

Contudo, obrigada por isto. Pela libertação, pela lição e pelo “abre olhos” mais f#dido que já tive. Quis odiar-te e odiei. Pensei que nunca mais seria feliz; que não iria conseguir abrir meu coração para mais ninguém. A verdade é que agora, só preciso de mim para ser feliz. E se um novo amor vier não haverá medo de errar, não irei ser amarga com ele só porque um c#nalha fez o que fez.

Hoje, consigo fechar este capítulo sem mágoas ou rancor. A nossa despedida foi sem nexo, a razão do término também, porém ainda bem que tudo aconteceu desta forma. Reencontrei-me finalmente e não há maior satisfação do que esta.

Não te desejei o melhor, mas sim que tivesses aquilo que fazes aos outros e mereces. Todos os nossos atos sempre resultam em consequências, porém acabarás por descobrir isso, sozinho.

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  1. Pode soar a cliché, mas, por vezes, é no meio do caos que encontramos a nossa paz. Porque reencontramo-nos, compreendemos exatamente o que queremos e a forma como pretendemos viver.
    O fim de uma relação magoa sempre. Porém, também nos ensina. E as feridas acabam por sarar.

    Beijinho grande <3

    1. Agora disseste tudo querida. Se não fosse este término não tinha conquistado as coisas que atualmente já tenho. Beijinhos 😘

  2. Numa relação, além de todo o amor, de toda a confiança, do respeito há que haver LIBERDADE e quando não há algo está mal. É triste e muito mau e conheço imensos casos assim! O importante agora é estares bem contigo mesma 🙂

    1. Há coisas tão simples como a liberdade, numa relação, que desconhecemos quando somos muito novos. Felizmente, deu para aprender.

  3. Parece ter sido duro mais ainda bem que superas-te.
    Beijinhos
    http://virginiaferreira91.blogspot.com

    1. Vamos superando a cada dia mais um pouco. Beijinhos 😘

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