Day 4: 30 Day Writing Challenge

A cada tema que passa estou a desafiar-me mais e mais. Eu adoro escrever. Não importa sobre. Às vezes quando penso que vou escrever pouco, é quando escrevo muito. Normalmente, agora, já não crio muitas expectativas. Apenas penso, no que posso conseguir e na realidade consigo sempre mais porque me esforço por mais, ou porque simplesmente flui. E isso não é apenas na escrita. É em tudo o que faço.

O tema de hoje desafia-me a falar sobre alguém que admiro muito. Escrever, para mim é bem mais fácil do que dizer à pessoa (quando são elogios como é óbvio, porque outras coisas nem guardo para mim). Tenho-me dado conta de que não demonstro os meus sentimentos como gostaria mas disso talvez falaremos noutro post. (Combinado?)


A pessoa que mais admiro no mundo é sem dúvida a minha avó. (E não, não vai ser um post lamechas. Ou até vai, e não me vou importar de ser lamechas só hoje.) Já referi algo sobre ela por aqui porém nunca aprofundei. Nem devo porque são coisas muito pessoais, apesar de que gostaria imenso de poder compartilhar. Fui educada por ela e a maioria das minhas memórias são com ela. Da sua simplicidade, humildade e honestidade. De todas as histórias que me contou, e da sua paciência infinita. Muitas vezes confesso ao Tiago (é difícil confessar-lhe algo mas quando estou mais “afogada” falo mundos e fundos 😂) que moro na casa de fronte da dela, e tenho imensas saudades.

Vejo-a raramente e ela esta a 3 passos de mim, todos os dias. Em dezembro fez anos, 61 para ser concreta, e escrevi-lhe um texto que nunca lhe li, nem acho que terei coragem de ler. Tentei fazer-lhe uma surpresa e não consegui pois já era tarde e com os comprimidos que ela toma, já estava a dormir (e não acordava nem tão cedo). Contudo, corrói-me por dentro e não o posso negar. Às vezes nego. É mais fácil assim. Dizer que sei viver sem, dizer que não tenho saudades de quando íamos à cidade e parávamos sempre para almoçar, de quando entrava na igreja com ela e ela me explicava as coisas de maneira a que eu ficasse interessada. São tantas as memórias que tenho, que sentir que um dia serão memórias e nada mais, dói.

É a minha única avó. A minha avó paterna morreu tinha eu 11 anos e foi horrível. Acredito que nunca irei me conformar com isto das “partidas eternas”. Daí achar que não aproveito tanto quanto deveria. Que não a abraço as vezes que deveria. E deveriam ver o sorriso enorme que me dá quando lhe bato à porta. E estar impossibilitada de lá ir e ficar o dia inteiro com ela magoa-me mesmo.

Dizem que os avós são país com açúcar. A minha para além de avó, é também minha madrinha. E considero-a minha mãe. Pois para ser mãe não é preciso carregar no ventre, nem dar à luz. É preciso ser, estar presente, dar amor e ter carinho para dar.

Se hoje sou aquilo que sou, foi tudo devido a ela. E quando me perguntam como posso ser tão diferente dos meus progenitores, sempre digo “porque fui criada por uma grande mulher que é totalmente diferente deles”.

E admiro-a pois ficou durante 10 anos a cuidar de 6 filhos sozinha, teve de trabalhar para poder comer, de colocar a “mão na massa” já que ninguém a ajudaria. Passou fome, deixou de ser rica para ser pobre e com dívidas, e me fez aprender que do dia para a noite tudo pode mudar. Agradeçam por tudo o que têm! 🙏🏻

Quem admiram muito? Porquê? [Agradecia imenso que quem quiser receber notificações de novos posts, subscreva o blog pois mudamos de newsletter. 💙]

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  1. Dá sempre valor a essa linda avó que tu tens! 🙂
    Aproveita o HOJE com ela.

    1. Irei tentar aproveitar ao máximo! Beijinhos sua linda! ❤️

  2. Fizeste-me chorar querida. Eu também sou muito chegada à minha avó, cresci com ela, aprendi com ela e sinceramente às vezes nem quero pensar que os 80 anos não são fáceis. Felizmente para o próximo mês já vou para o pé dela, para matar todas as saudades.
    Aproveita muito porque as avós são as nossas segundas mães <3

    Beijinhos <3

    1. Ai desculpa 😕 Ai nem quero imaginar a minha avó com os 80 anos. Fazes muito bem. Era ótima se não tivéssemos de nos separar delas. A minha é uma mãe para mim. Para não dizer que é a minha única mãe. Beijinhos ❤️

  3. Sinto que não vou conseguir dizer muita coisa, porque todo este texto fez-me recordar a minha avó materna, que faleceu em 2011. Adorava as minhas avós, mas como sempre vivemos com a minha avó materna estabeleci um vinculo muito mais próximo. Morro de saudades dela, da sua calma, dos seus olhos azuis, de acordar e ouvir o seu bom-dia, da sua sabedoria, do seu amor infinito… De tudo. Pode ser cliché, mas há pessoas que deviam mesmo ser eternas. Quer dizer, acredito que as pessoas só morrem verdadeiramente quando nos esquecemos delas, mas há abraços que nos fazem faltam. E seria reconfortante saber que teríamos sempre aquele colo.
    Um texto carregado de sentimento <3

    r: Isso é interessante! Pois, o bom de escrevermos/definirmos as coisas com tempo é que podemos sempre alterar os assuntos, porque continuamos a ter uma base de segurança.
    É, não é? Não me sinto só nesta luta ahahahah
    Muito obrigada!

    1. Sinto muito pela tua avó. Imagino mesmo a tua dor pois como quase sempre estava na casa da minha avó materna sei bem que a sua morte irá me custar horrores. Parte de mim irá morrer também e disso tenho a certeza. Partilho da mesma opinião que tu que algumas pessoas deveriam ser eternas. Tenho imensas saudades da minha avó mas depois de sair da casa dos meus pais irei lá mais vezes. Sem qualquer sombra para dúvidas. Obrigada querida. Beijinhos. <3

      Não és a única na luta ahaha.Quando não tenho posts em rascunho e preciso de um na ultima da hora, fico logo agoniada ahah. Não tens de quê. 🙂

  4. Eu tenho um do género da Yves Rocher, que até já falei por aqui 😛
    Obrigado 😀

    Acho que temos uma ligação idêntica com as nossas avós e creio que não há nada mais reconfortante que isso. Vejo a minha avó – tanto materna quanto paterna -, como pessoas que dedicaram uma vida aos filhos e ao trabalho. Com muito esforço. E também me orgulho imenso disso!

    1. Preciso ver esse da Yves Rocher. 🙂

      Apesar de não ter sido muito chegada à minha avó paterna e custou-me imenso quando ela faleceu. A minha avó materna foi de facto, uma guerreira. Trabalhou dia e noite, passou fome, e ainda assim conseguiu alimentar os filhos e dar-lhes as necessidades básicas. Não tenho como não me orgulhar (apesar da minha mãe não se orgulhar nem um pouco). Beijinhos <3

  5. E quase que saiu uma lagrimazinha. Sei bem o que é perder uma avó. A minha era tão próxima de mim e foi-me retirada tão de repente e eu sei idade para perceber o porquê de ela merecer aquilo. Penso que nunca se ultrapassa a sensação de nos terem arrancado algo, para sempre. Pelos menos, eu acho que não vou. Aproveita mesmo o que tens. Vai doer? Vai. Mas não tenhas arrependimentos, que esses, ainda doem mais *

    Um beijinho*

    1. Eu perdi a minha avó paterna. Custou-me imenso e eu não era tão chegada a ela como sou com a minha avó materna. Sei perfeitamente que quando um dia ela me faltar, será uma ferida aberta para sempre. Tento nem pensar nisso, daí querer aproveitar todos os poucos momentos que tenho com ela. Sinto muito pela tua avó. Deve ser mesmo doloroso. Beijinhos <3

  6. Belinha Barbosa says: Responder

    Por que não pode ir lá ve-la?
    Eu admiro meus pais que sempre fizeram tudo por mim.. Minha mãe que cuidou de mim quase a minha vida toda sozinha.. E meu pai (padrasto) que conheci aos cinco anos e que me cuida como uma filha até hoje.. Realmente pais não é apenas fazer e ter, é está presente, educar e dá muito amor!! Só tenho a agradecer aos meus pais! 😍😍

    1. Meus pais me proibiram de ir vê-la ou de até ir à casa dela e sinto imensa falta de passar lá o dia como dantes. Meus pais sempre me deixavam com minha avó para poderem sair e embebedarem-se. Deves agradecer mesmo pelos pais que tens. Beijinhos

  7. Parabéns pelo texto tão bonito querida Carolina 🙂 Continua a colocar no papel tudo isso que sentes…tens um talento enorme. E acredita que a tua avó tem tantas ou mais saudades que tu (aposto). Quiçã mais tarde possas voltar a ve-la

    beijinhos
    http://www.dailyfoxblog.com
    MUAHHH*

    1. Obrigada querida. ❤️ Continuarei. Aposto que sim. Beijinhos

  8. Talita Paschoal says: Responder

    Expectativas geralmente tendem a nos limitar, assim acabamos por não nos esforçar tanto, apesar de tentarmos, e não conseguimos chegar no nosso máximo (algo que varia de pessoa para pessoa e de situação para situação) acabando assim por ficarmos até deprimidos.
    Acabei por me lembrar de nossa conversa de ontem, realmente tua avó é uma pessoa magnífica, uma completa guerreira! Eu admiro-a imenso, mesmo sem conhecer! 💜
    Não te sintas culpada de não poder ir lá ter, afinal a culpa sabemos bem de quem são, e não concordo nem um pouco com esta atitude deles e muitas outras atitudes também ! 😤
    Não há uma pessoa que eu admire muito! *carinha pensativa*
    É verdade, o tempo passa num passe de mágica e às vezes não aproveitamos tudo àquilo que podemos, seja por erro nosso ou por erro de algures. Sempre tão sagaz com as palavras, Carol, adoro quando faz posts assim! 💜

    1. Infelizmente as atitudes deles não irão mudar nem tão cedo (isso se mudarem algum dia). Tenho mesmo de aproveitar todos os momentos com ela. A vida são 2 dias. Vejo tantas pessoas novas morrendo com uma vida inteira pela frente. É difícil! Ela é mesmo uma guerreira! Daquelas que não se fazem mais. Não é por ser minha avó, mas é é uma pessoa muito especial. Obrigada pelo carinho 💙 Beijinhos

  9. […] meus queridos! Voltei com o desafio! No último, em que falei da pessoa que mais admiro, recebi um feedback enorme vosso! Muito obrigada por estarem sempre desse lado. 💙 Os temas de […]

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